O Movimento Tapuia
Atenção: este é um
trabalho de ficção.
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Antes da chegada dos portugueses, tapuia, em tupi, significava inimigo e a palavra geralmente se
aplicava a outras comunidades tupis. Quando as missões da Igreja Ecumênica
pacificaram os tupis e guaranis e deram origem à civilização do Mutirão, os
tupis passaram a chamar de tapuias, os povos indígenas não pertencentes à
família tupi, principalmente os que falam línguas da família Jê, que
continuavam avessos à civilização.
No século XVIII, tapuia significa qualquer
indígena de um grupo que não tenha se integrado nas comunidades portuguesas,
nem adotado o modo de vida tupi-guarani, com sua organização agro-industrial em
mutirões. São os membros das comunidades que mantêm estilos de vida
fundamentalmente tradicionais, embora não recusem a alfabetização, os postos de
assistência médica e social do governo imperial e as técnicas e ferramentas
modernas que lhes sejam convenientes.
Na verdade, muitos povos indígenas de
língua não tupi também se organizaram em mutirões, como os cadivéus, axanincas,
tapajós, marajoaras e omaguas – geralmente adotando o tupi como segunda língua.
Por outro lado, algumas comunidades que
falam línguas da família tupi resistiram a mudar seu modo de vida e continuam,
como seus ancestrais, a viver da caça e da pesca, de forma que se pode dizer
que existem “tupis tapuias”. Pertencem a esses grupos, por exemplo, as tribos
juruna, gavião, cinta-larga, mundurucu, arara, araueté e maué.
O típico tapuia, porém, é um indígena que
fala uma das centenas de línguas não-tupis usadas no Brasil, que na maioria
pertencem às famílias Jê (apinajés, xavantes, coroados, caiapós, crenacarores,
pataxós, timbiras, botocudos, carajás, bororos etc.), Caribe (atroaris,
macuxis, uaimiris, araras etc.) ou Aruaque (apurinãs, barés, terenas,
iaualapitis etc.). As famílias menores incluem os arauás, guaicurus,
nambiquaras, txapacuras, panos, muras, catuquinas e outros.
Suas aldeias foram agrupadas em
“comunidades autônomas”, que se regem pelas próprias leis e costumes. Seus
membros podem
beneficiar-se dos direitos civis dos súditos imperiais se vierem a residir em
um município imperial, mas não dos plenos direitos políticos de um súdito do
império. Também não podem ser nomeados para cargos elevados no serviço civil ou
militar do Império, a menos que sejam previamente elevados à cidadania imperial
ou à nobreza. Podem votar e serem votados
apenas para cargos políticos dentro de seus estados ou comunidades de origem ou
como representantes dos mesmos nas cortes vice-reinais.
Até o início do século XVIII, esses povos,
muitos deles ainda semi-nômades, permaneciam apenas parcialmente assimilados e
à margem da política imperial. Entretanto, a construção de Brasília e das
grandes ferrovias e hidrovias que abriram os caminhos do interior à colonização
os colocaram em contato mais íntimo com a civilização e também deram ocasião a
disputas por terras e riquezas naturais com os empreendimentos estatais, as
companhias mercantis luso-brasileiras e, às vezes, também com os mutirões
tupis.
As lideranças desses indígenas compreenderam a
necessidade de se organizar politicamente para defender seus interesses.
Fundaram uma federação de comunidades indígenas para representá-los
politicamente e, quando isso se mostrou insuficiente, fundaram também um
Partido Tapuia. Embora não possa lançar candidatos para eleições nos centros
urbanos, pôde eleger deputados das comunidades autônomas para as cortes
vice-reinais e, através delas, pressionar para que alguns de seus membros e
simpatizantes fossem eleitos ao Senado Imperial.
Os cerca de doze milhões de tapuias brasileiros
têm hoje três representantes no Senado Imperial, um por Pindorama, um pelo
Paraná e um pelo Grão-Pará. Nos últimos anos, seu movimento tem se expandido
também pela África e pela Ásia, organizando as tribos que se apegam aos antigos
costumes e chegou a eleger mais um senador pela Zaire. Além de defender os direitos dos povos nativos às suas terras e seus
costumes, seu programa também enfatiza a valorização da diversidade cultural e da
natureza, ameaçadas pelo progresso da indústria e dos transportes.
Embora não queira se envolver diretamente nos
conflitos de classe internos à sociedade imperial, os
conflitos com os interesses dos liberais e restauradores aproximaram o Partido
Tapuia da esquerda. Na maioria das questões, tende a se aliar ao Partido
Quilombola ou ao Partido Popular, ou posicionar-se de alguma forma entre os
dois.

O Partido Tapuia defende a natureza,
o direito à diversidade cultural e o espaço vital dos povos minoritários