O Movimento Tapuia

Atenção: este é um trabalho de ficção.


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O Brasil dos outros 500

 Ordens e organizações


Antes da chegada dos portugueses, tapuia, em tupi, significava inimigo e a palavra geralmente se aplicava a outras comunidades tupis. Quando as missões da Igreja Ecumênica pacificaram os tupis e guaranis e deram origem à civilização do Mutirão, os tupis passaram a chamar de tapuias, os povos indígenas não pertencentes à família tupi, principalmente os que falam línguas da família Jê, que continuavam avessos à civilização.

No século XVIII, tapuia significa qualquer indígena de um grupo que não tenha se integrado nas comunidades portuguesas, nem adotado o modo de vida tupi-guarani, com sua organização agro-industrial em mutirões. São os membros das comunidades que mantêm estilos de vida fundamentalmente tradicionais, embora não recusem a alfabetização, os postos de assistência médica e social do governo imperial e as técnicas e ferramentas modernas que lhes sejam convenientes.

Na verdade, muitos povos indígenas de língua não tupi também se organizaram em mutirões, como os cadivéus, axanincas, tapajós, marajoaras e omaguas – geralmente adotando o tupi como segunda língua.

Por outro lado, algumas comunidades que falam línguas da família tupi resistiram a mudar seu modo de vida e continuam, como seus ancestrais, a viver da caça e da pesca, de forma que se pode dizer que existem “tupis tapuias”. Pertencem a esses grupos, por exemplo, as tribos juruna, gavião, cinta-larga, mundurucu, arara, araueté e maué.

O típico tapuia, porém, é um indígena que fala uma das centenas de línguas não-tupis usadas no Brasil, que na maioria pertencem às famílias Jê (apinajés, xavantes, coroados, caiapós, crenacarores, pataxós, timbiras, botocudos, carajás, bororos etc.), Caribe (atroaris, macuxis, uaimiris, araras etc.) ou Aruaque (apurinãs, barés, terenas, iaualapitis etc.). As famílias menores incluem os arauás, guaicurus, nambiquaras, txapacuras, panos, muras, catuquinas e outros.

Suas aldeias foram agrupadas em “comunidades autônomas”, que se regem pelas próprias leis e costumes. Seus membros podem beneficiar-se dos direitos civis dos súditos imperiais se vierem a residir em um município imperial, mas não dos plenos direitos políticos de um súdito do império. Também não podem ser nomeados para cargos elevados no serviço civil ou militar do Império, a menos que sejam previamente elevados à cidadania imperial ou à nobreza. Podem votar e serem votados apenas para cargos políticos dentro de seus estados ou comunidades de origem ou como representantes dos mesmos nas cortes vice-reinais.

Até o início do século XVIII, esses povos, muitos deles ainda semi-nômades, permaneciam apenas parcialmente assimilados e à margem da política imperial. Entretanto, a construção de Brasília e das grandes ferrovias e hidrovias que abriram os caminhos do interior à colonização os colocaram em contato mais íntimo com a civilização e também deram ocasião a disputas por terras e riquezas naturais com os empreendimentos estatais, as companhias mercantis luso-brasileiras e, às vezes, também com os mutirões tupis.

As lideranças desses indígenas compreenderam a necessidade de se organizar politicamente para defender seus interesses. Fundaram uma federação de comunidades indígenas para representá-los politicamente e, quando isso se mostrou insuficiente, fundaram também um Partido Tapuia. Embora não possa lançar candidatos para eleições nos centros urbanos, pôde eleger deputados das comunidades autônomas para as cortes vice-reinais e, através delas, pressionar para que alguns de seus membros e simpatizantes fossem eleitos ao Senado Imperial.

Os cerca de doze milhões de tapuias brasileiros têm hoje três representantes no Senado Imperial, um por Pindorama, um pelo Paraná e um pelo Grão-Pará. Nos últimos anos, seu movimento tem se expandido também pela África e pela Ásia, organizando as tribos que se apegam aos antigos costumes e chegou a eleger mais um senador pela Zaire. Além de defender os direitos dos povos nativos às suas terras e seus costumes, seu programa também enfatiza a valorização da diversidade cultural e da natureza, ameaçadas pelo progresso da indústria e dos transportes.

Embora não queira se envolver diretamente nos conflitos de classe internos à sociedade imperial, os conflitos com os interesses dos liberais e restauradores aproximaram o Partido Tapuia da esquerda. Na maioria das questões, tende a se aliar ao Partido Quilombola ou ao Partido Popular, ou posicionar-se de alguma forma entre os dois.

   

O Partido Tapuia defende a natureza, o direito à diversidade cultural e o espaço vital dos povos minoritários